quinta-feira, 24 de novembro de 2016

UMA TAÇA FEITA DE CRÂNIO HUMANO

Não recues! De mim não foi-se o espírito...
Em mim verás - pobre caveira fria -
Único crânio que, ao invés dos vivos,
 Só derrama alegria.
 Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte Arrancaram da terra os ossos meus. Não me insultes! empina-me!... que a larva Tem beijos mais sombrios do que os teus. Mais vale guardar o sumo da parreira Do que ao verme do chão ser pasto vil; Taça - levar dos Deuses a bebida, Que o pasto do réptil. Que este vaso, onde o espírito brilhava, Vá nos outros o espírito acender. Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro ... Podeis de vinho o encher! Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça, Quando tu e os teus fordes nos fossos, Pode do abraço te livrar da terra, E ébria folgando profanar teus ossos. E por que não? Se no correr da vida Tanto mal, tanta dor ai repousa? É bom fugindo à podridão do lado Servir na morte enfim p'ra alguma coisa!... Lord Byron (Tradução de Castro Alves)

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Tudo que começa, termina.
Às vezes dor, às vezes alívio.

     Vincent Van Gogh


terça-feira, 13 de março de 2012

Permita-se ser imperfeita...


Permita-se ser imperfeita . . .
(Texto editado na Revista do Jornal O Globo)

'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a 
Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!

E, entre uma coisa e outra, leio livros.

Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.

Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro: a dizer NÃO.

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.

Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. 
Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros..

Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

Você não é Nossa Senhora.

Você é, humildemente, uma mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.

Tempo para fazer nada.

Tempo para fazer tudo.

Tempo para dançar sozinha na sala.

Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

Tempo para sumir dois dias com seu amor.

Três dias..

Cinco dias!

Tempo para uma massagem..

Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.

Tempo para fazer um trabalho voluntário.

Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.

Voltar a estudar.

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.

Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina?

Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!

Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você passa por cima de tudo para ter isso, francamente, está precisando rever seus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante' 


Martha Medeiros - Jornalista e escritora

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Augusto dos Anjos - Biografia


Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu no Engenho Pau d'Arco, Paraíba, no dia 20 de abril de 1884. Aprendeu com seu pai, bacharel, as primeiras letras. Fez o curso secundário no Liceu Paraibano, já sendo dado como doentio e nervoso por testemunhos da época. De uma família de proprietários de engenhos, assiste, nos primeiros anos do século XX, à decadência da antiga estrutura latifundiária, substituída pelas grandes usinas. Em 1903, matricula-se na Faculdade de Direito do Recife, formando-se em 1907. Ali teve contato com o trabalho "A Poesia Científica", do professor Martins Junior. Formado em direito, não advogou; vivia de ensinar português. Casou-se, em 04 de julho de 1910, com Ester Fialho. Nesse ano, em conseqüência de desentendimento com o governador, é afastado do cargo de professor do Liceu Paraibano. Muda-se para o Rio de Janeiro e dedica-se ao magistério. Lecionou geografia na Escola Normal, depois Instituto de Educação, e no Ginásio Nacional, depois Colégio Pedro II, sem conseguir ser efetivado como professor. Em 1911, morre prematuramente seu primeiro filho. Em fins de 1913 mudou-se para Leopoldina MG, onde assumiu a direção do grupo escolar e continuou a dar aulas particulares. Seu único livro, "Eu", foi publicado em 1912. Surgido em momento de transição, pouco antes da virada modernista de 1922, é bem representativo do espírito sincrético que prevalecia na época, parnasianismo por alguns aspectos e simbolista por outros. Praticamente ignorado a princípio, quer pelo público, quer pela crítica, esse livro que canta a degenerescência da carne e os limites do humano só alcançou novas edições graças ao empenho de Órris Soares (1884-1964), amigo e biógrafo do autor.

Cético em relação às possibilidades do amor ("Não sou capaz de amar mulher alguma, / Nem há mulher talvez capaz de amar-me"), Augusto dos Anjos fez da obsessão com o próprio "eu" o centro do seu pensamento. Não raro, o amor se converte em ódio, as coisas despertam nojo e tudo é egoísmo e angústia em seu livro patético ("Ai! Um urubu pousou na minha sorte"). A vida e suas facetas, para o poeta que aspira à morte e à anulação de sua pessoa, reduzem-se a combinações de elementos químicos, forças obscuras, fatalidades de leis físicas e biológicas, decomposições de moléculas. Tal materialismo, longe de aplacar sua angústia, sedimentou-lhe o amargo pessimismo ("Tome, doutor, essa tesoura e corte / Minha singularíssima pessoa"). Ao asco de volúpia e à inapetência para o prazer contrapõe-se porém um veemente desejo de conhecer outros mundos, outras plagas, onde a força dos instintos não cerceie os vôos da alma ("Quero, arrancado das prisões carnais, / Viver na luz dos astros imortais").

A métrica rígida, a cadência musical, as aliterações e rimas preciosas dos versos fundiram-se ao esdrúxulo vocabulário extraído da área científica para fazer do "Eu" - desde 1919 constantemente reeditado como "Eu e outras poesias" - um livro que sobrevive, antes de tudo, pelo rigor da forma. Com o tempo, Augusto dos Anjos tornou-se um dos poetas mais lidos do país, sobrevivendo às mutações da cultura e a seus diversos modismos como um fenômeno incomum de aceitação popular. Vitimado pela pneumonia aos trinta anos de idade, morreu em Leopoldina em 12 de novembro de 1914

O Fim das Coisas

Pode o homem bruto, adstrito à ciência grave,
Arrancar, num triunfo surpreendente,
Das profundezas do Subconsciente
O milagre estupendo da aeronave!

Rasgue os broncos basaltos negros, cave,
Sôfrego, o solo sáxeo; e, na ânsia ardente
De perscrutar o íntimo do orbe, invente
A lâmpada aflogística de Davy!

Em vão! Contra o poder criador do Sonho
O Fim das Coisas mostra-se medonho
Como o desaguadouro atro de um rio...

E quando, ao cabo do último milênio,
A humanidade vai pesar seu gênio
Encontra o mundo, que ela encheu, vazio!

(Augusto dos Anjos)

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e á vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

(Augusto dos Anjos)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

SONETO DE SEPARAÇÃO

De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo, distante

Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
(Vinícius de Moraes)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Os vivos e os mortos

  Como povos de todo o mundo lidam com a morte

       Não usar preto num funeral parece falta de respeito com falecido. O preto reflete o luto e a solenidade de tão sombria ocasião mas este costume nasceu por um motivo bem diferente – não por respeito, mas antes por simples receio do morto.
       Nossos antepassados acreditavam que o fantasma só falecido ficava perto do cadáver e se sentia tão solitário que era capaz de tentar agarrar um dos vivos para arranjar companhia, se houvesse oportunidade. Poucos queriam sofrer esse destino, e por isso todos se vestiam das mesmas cores escuras para não chamar a atenção.

       Para evitar problemas

        O medo dos fantasmas ditou vários costumes curiosos. Nos funerais dos índios norte-americanos, o parente mais próximo do falecido escapulia mais cedo, enquanto o fantasma ainda observava a cerimônia, para evitar ser apanhado. Nos funerais dos índios Sacs ou Fox, os parentes tinham o cuidado de pôr alguma comida ou peça de roupa na sepultura, o que evitava que o espírito aparecesse da noite para cobrar as oferendas. 
 Em algumas partes do mundo, o corpo sai do velório por uma janela e não pela porta; desse modo, espera-se confundir o fantasma e evitar que ele encontre o caminho de volta para casa. E na China, os acompanhantes costumam explodir pequenas bombas no regresso de um funeral para repelir o espírito do falecido.
        A ideia foi levada ao extremo pelo povo Yakut, da Sibéria. Entre eles, a pessoa que estava morrendo tinha a comida mais requintada e o melhor lugar na festa do seu funeral antes de ser levada e enterrada viva.  
       Alimentos e bens – até um cavalo para facilitar a viagem para o outro mundo – eram enterrados com ela, de modo a não ter justificativa para regressar a casa. As roupas pretas dos funerais da Europa e da       América atualmente não são as únicas lembranças deste antigo e profundo medo dos mortos. As moedas que os agentes funerários punham nos olhos dos cadáveres não serviam só para mantê-los fechados, eram o preço da passagem do espírito para o outro mundo.
        E se as orações fúnebres parecem demasiado lisonjeiras para o falecido, pode ser por algo mais do que um desejo de prestar homenagem. Talvez ainda partilharemos o antigo receio inconsciente de que em algum lugar próximo ouvidos inversíveis mas atentos estão escutando cada palavra. 



Fonte: Você sabia? - Reader's Digest

quarta-feira, 13 de abril de 2011

PINTURA "FORE-EDGE"

A pintura For-Edge, é uma arte feita no corte, ou cortes do livro, quando muito bem prensado, e       
  somente visível inclinando as páginas, em estado normal, não é possível ver a pintura,   
   esta arte também é chamda de "pintura invisível". 





Pintura For-Edge, ou Invisível, no corte lateral, superior e inferior.




quinta-feira, 31 de março de 2011

A casa da memória

De partituras centenárias a peças de artesanato, Biblioteca Nacional soma 540 mil , de direito autoral desde 1896, 19% deles só nos últimos quatro anos, como mostra levantamento feito para o GLOBO.

    O Brasil é um país composto majoritariamente de poetas, um tanto de músicos, um pouco de roteiristas e quase nada de romancistas.O Brasil é um país com cerca de 540 mil registros nos mais de cem anos de serviço de seu principal órgão para a inscrição de direito autoral, a Biblioteca Nacional. É uma material que serve como memória intelectual da sociedade, e cuja análise ilumina os hábitos de criação do brasileiro num momento em que se discute tanto a importância do direito do autor.
    Um levantamento feito pelo Escritório de Direitos Autorais (EDA) da Biblioteca Nacional, a pedido do GLOBO, mostra como a procura pelo cadastro auroral vem crescendo ao longo das décadas. O serviço foi instituído há 115 anos, mas 19% do total de registros foram realizados de 2007 até hoje. O primeiro livro de tombo, como é chamada a publicação em que se arquivam as informações sobre cada registro, teve 500 itens e demorou dez anos para ser preenchido. Hoje, a biblioteca precisa abrir um novo livro em pouco mais de dez dias.
   - O boom do registro autoral ocorreu por volta de 1995 - diz Rejane Schneider, servidora responsável técnica pelo EDA. - O Brasil passou por uma onda de cidadania após os anos Collor (1990-1992), e isso fez com que as pessoas percebessem que deveriam exigir seus direitos e tornou nosso setor mais popular.
O registro de direito autoral no Brasil teve início em 1896, com a Lei 496, do escritor e deputado pernambucano Medeiros e Albuquerque, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Tratava-se da primeira norma específica para o tema no país. Desde então, cabe à Biblioteca Nacional receber romances, poemas, letras e partituras de músicas roteiros, ilustrações, fotos ou qualquer outra categoria de obra impressa. Além do EDA, outros órgãos aceitam o cadastro de obras intelectuais: a Escola de Música da UFRJ, para músicas; a Escola de Belas Artes da UFRJ, para esculturas, pinturas e a produção artística em geral; e o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, para projetos em seus campos e afins.
    Depois que uma obra é registrada, o documento entregue à instituição responsável passa a pertencer ao Estado. Isso quer dizer que nem mesmo seu autor tem acesso ao conteúdo diretamente: caso queira utilizar a obra, ele precisará pagar por uma cópia por isso, os funcionários do EDA sugerem que as pessoas não deixem seus originais, mas nem sempre funciona. Nos arquivos da biblioteca, há originais de fotos, ilustrações e até diários. Não tem muito tempo, um senhor chegou ao escritório com um livro de quadrinhos, todo desenhado à mão, e o entregou às atendentes. Resultado: nunca mais verá o livro.
    Cada registro custa entre R$ 20 (texto) e R$ 60 (imagem colorida) para pessoas físicas, mas é possível inserir sob o mesmo número mais de uma obra. Há um caso de uma pessoa que cadastrou mil volumes de uma vez num único registro, pagando a mesma quantia de quem registra um. Ou seja: a quantidade de obras guardadas na biblioteca pode ser duas, cinco ou até dez vezes maior que 540 mil registros.
- No arquivo, temos desde partituras de Chiquinha Gonzaga, do início do século passado, até uma peças de artesanato feita em lã, com quatro coelhos bordados à mão. Eu chamo de família coelho - conta Rejane. - O registro de direito autoral é uma casa da memória brasileira.

Continua...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Casa da memória

continuação...

    Em 2010, o Escritório de Direitos Autorais (EDA) da Biblioteca Nacional efetuou em média 2.900 registros por mês. A maior parte, 30,76%, foi de poemas - letra de música sem partitura são incluídas nessa categoria. Em seguida, vêm músicas (15,55%), roteiros para cinema e TV (13,45%), livros didáticos (5,08), romances (4,97%) e contos ou crônicas (4,14%). Já peças de teatro, teses, quadrinhos, periódicos, fotos e outro gêneros somados chegam a 26, 05%do total. São Paulo é o estado com  mais pedidos (36,8%), seguido de Rio de Janeiro (22,41%), Bahia (7,2%) e Paraná (6,41%).
    - Eu venho aqui par não ter amolação depois - conta Sebastião Pedro, músico evangélico e morador de Nova Iguaçu, que esteve na  biblioteca na semana passada para registrar as letras de dez canções, entre elas "Jesus Cristo, o professor". - Já registrei mais de 200, tenho um CD pronto. Falta só gravar.
Como Sebastião, há centenas de desconhecidos que registram suas obras no EDA. Sua maior motivação é ter mais segurança sobre a autoria de uma obra. Mas há situações em que a pessoa simplesmente busca uma maneira de "imortalizar" sua criação por razões afetivas.
    Após acontecimentos marcantes, como a queda de um avião, por exemplo, a procura pelo serviço aumenta. Sobretudo com parentes de vítimas querendo cadastrar poemas ou desenhos sobre a tragédia. Nos últimos anos, uma mulher de cerca de 50 anos tem ido à biblioteca regularmente para registrar poemas em homenagem ao finado marido. Detalhe: vai vestida de noiva.
    - Às vezes acontece de alguém chegar dizendo que quer registrar uma música e, em vez de nos dar a partitura e a letra impressa, começa a cantar. E ainda pede que a gente anote - conta Rejane Schneider. - As pessoas não sabem bem i significado do registro autoral, muitos acham que estarão divulgando sua obra e que podem recolher os direitos aqui.

Cadastro Nacional de Livros

    Há uma boa parcela de autores, porém, que já tem plena consciência do valor do cadastro e de seu uso. Cerca de 30% das entradas para registro autoral vêm acompanhadas de pedidos para o International Standard Book Number (ISBN), um sistema internacional que identifica numericamente os livros para sua publicação. No Brasil, o cadastro do ISBN também é atualizado pela Biblioteca Nacional. Isso significa que quase um terço dos autores já pensam em tornar públicas suas obras.
    - A Agência Brasileira do ISBN totaliza, hoje, 934.387 registro. Trata-se de uma banco de dados riquíssimo, que vai constituir a matriz inicial para a criação do Cadastro Nacional de Livros, uma iniciativa da Câmara Brasileira do Livros cuja versão pra testes será disponível em Julho - conta Galeno Amorim, presidente da Biblioteca Nacional. - Esse cadastro vai centralizar informações sobre as obras editadas e comercializadas no país, reunindo capa, sinopse e preço. Em vez de registrar seus catálogos em diversas livrarias, as editoras poderão cadastrar suas obras numa única vez, as livrarias evitarão os custos que a criação de catálogos próprios exige. e os editores de pequeno porte serão especialmente beneficiados, pois terão oportunidade de divulgar melhor suas publicações.

FONTE: Segundo Caderno do jornal O Globo
29 de Março de 2011

segunda-feira, 28 de março de 2011

Boicote à HarperCollins

Bibliotecas americanas iniciaram uma campanha de boicote a livros da megaeditora HarperCollins, em resposta à decisão da empresa de estabelecer um limite de 26 empréstimos para as versões digitais dos seus títulos. Na semana passada, a editora anunciou um novo modelo de venda de e-books para bibliotecas, no qual cada capítulo digital só poderá ser lido 26 vezes. Depois disso, as bibliotecas terão que recomprar a licença para manter o livro em catálogo. A medida pretende estabelecer para os e-books, por contrato, um limite de uso que no caso dos livros impressos ocorre naturalmente, devido ao desgaste que obriga as bibliotecas a reporem periodicamente seus exemplares. As bibliotecas, no entanto, dizem que 26 é um número baixo e provocará um aumento excessivo em seus gastos.

FONTE: Caderno Prosa & Verso do Jornal O Globo de
12 de Março de 2011.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

LIVROS PARA TODOS

Novo presidente da Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, que também será responsável pela gestão de políticas de leitura, pretende estimular a produção de obras mais baratas e sonha com livrarias populares
Fazer do livro um artigo acessível a todos é a grande meta do jornalista e escritor Galeno Amorim. Confirmado na última sexta-feira como novo presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Amorim vai administrar a distribuição de obras para seis mil unidades públicas gerenciadas por prefeituras, além de traçar os rumos da oitava maior biblioteca do mundo em acervo. Ex-secretário de Cultura de Ribeirão Preto e com passagens pelo governo Lula, inclusive na FBN, ele foi incumbido pela ministra Ana de Hollanda de preparar o terreno para a criação do Instituto Nacional de Livro e Leitura.


Para isso, num primeiro momento ele vai acumular a gestão dos acervos das bibliotecas com as elaborações de políticas públicas para o setor. Entre suas metas, Amorim pretende criar um mecanismo de incentivo para que as editoras apostem em livros populares, mais baratos, a fim de alcançar os consumidores das classes C, D e E. Em entrevista ao GLOBO, ele expôs sua visão sobre direito autoral e acesso à leitura, e disse imaginar uma livraria popular nos moldes das farmácias populares.

Segue o link com a entrevista completa.http://www.cultura.gov.br/site/2011/01/24/livros-para-todos/



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A magia da dança

Dançar no ritmo dos deuses para trazer chuva ou curar doenças


Onde há gente, há dança. Para a maior parte das pessoas “civilizadas”, a dança não passa de um agradável passatempo; mas, longe das salas de baile e das discotecas, as danças rituais ainda são vitais em muitas sociedades para celebrar as diferentes fases da vida e promover uma comunicação com os deuses. Essas sociedades dançam para ter boas colheitas e caçadas, para que chova e para vencer a doença ou seus inimigos. As danças são uma forma de oração e possuem poderes mágicos.
As danças que imitam animais são características. Por exemplo, para distrair o espírito antes da caça e apaziguar a alma da presa já morta, os adolescentes de uma tribo na Austrália, os Kemmirais, saltam e se arranham, com as mãos junto ao peito, como os cangurus que vão abater. E os Tewas, do Novo México, dançam como as corças, correndo e parando de repente, tremendo e agitando a cabeça assustados.



Motivando os elementos


Os Sioux, uma nação indígena norte-americana, também dançam para chamar a chuva. Nessa dança, enchem um pote com água e dançam à sua volta quatro vezes antes de se atirarem ao chão e beberem a água que caiu. Há danças pela sobrevivência de indivíduos ou de tribos inteiras. Tanto os esquimós do Ártico como os índios da Amazônia possuem xamãs, ou feiticeiros, que dançam até entrar em transe, a fim de penetrar no mundo dos espíritos e trazer a alma de um membro da tribo que esteja doente. A missão dos “dançarinos do diabo” do Sri Lanka é exorcizar os espíritos malignos. Os iroqueses do estado de Nova York comportam-se da maneira singularmente bem-humorada: primeiro, o xamã tem de determinar o que provocou a doença – normalmente o espírito de um animal – e depois, prescreve uma dança ritual para apaziguar o espírito do animal ofendido. A dança imita o animal em questão, e os dançarinos chegam a comer a sua comida favorita; ao fim, todos festejam ruidosamente o paciente. Nessas sociedades, a dança pontua todas as fases críticas da vida: nascimento, puberdade, casamento e morte. O que impressiona um ocidental nestas danças é que homens e mulheres raramente atuam juntos e todos os passos tradicionais si mantêm rígidos e inalteráveis. Tal código pode ser muito rigoroso; diz-se que os velhos de Gaua, nas Novas Hébridas, vigiam o comportamento dos dançarinos, prontos a lançar-lhes uma flecha no caso de eles errarem.


Fonte: Você sabia? - Reader's Digest

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Quem nunca se sentiu um perdedor?

Respire fundo, nada parece
Preencher esse lugar
Eu preciso disso o tempo todo, pegue suas
Mentiras e saia do meu caso
Algum dia eu vou encontrar um amor que
Flue por mim como esse
Esse vai cair, esse vai cair

Você está chegando mais perto, para me empurrar
Do pequeno precipício da vida
Porque eu sou um perdedor e mais cedo ou mais tarde
Você sabe que eu vou estar morto
Você está chegando mais perto, você está segurando
A corda e eu estou caindo
Porque eu sou um perdedor, eu sou um perdedor, yeah!

Isso está ficando velho, eu não consigo romper essas
Correntes que me prendem
Meu corpo está ficando gelado, não sobrou nada
Dessa mente ou daminha alma
O vício precisa de um pacificador, o zumbido desse
Veneno está me levando às alturas
Esse vai cair, esse vai cair

Você está chegando mais perto, para me empurrar
Do pequeno precipício da vida
Porque eu sou um perdedor e mais cedo ou mais tarde
Você sabe que eu vou estar morto
Você está chegando mais perto, você está segurando
A corda e eu estou caindo
Porque eu sou um perdedor, eu sou um perdedor!

Você está chegando mais perto, para me empurrar
Do pequeno precipício da vida
Porque eu sou um perdedor e mais cedo ou mais tarde
Você sabe que eu vou estar morto
Você está chegando mais perto, você está segurando
A corda e eu estou caindo
Porque eu sou um perdedor!

Você está chegando mais perto, para me empurrar
Do pequeno precipício da vida
Porque eu sou um perdedor e mais cedo ou mais tarde
Você sabe que eu vou estar morto
Você está chegando mais perto, você está segurando
A corda e eu estou caindo
Porque eu sou um perdedor!



terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

NOVAMENTE-Ney Matogrosso

Me disse vai embora, eu não fui
Você não dá valor ao que possui
Enquanto sofre, o coração intui
Que ao mesmo tempo que magoa o tempo
O tempo flui
E assim o sangue corre em cada veia
O vento brinca com os grãos de areia
Poetas cortejando a branca luz
E ao mesmo tempo que machuca o tempo me passeia

Quem sabe o que se dá em mim?
Quem sabe o que será de nós?
O tempo que antecipa o fim
Também desata os nós
Quem sabe soletrar adeus
Sem lágrimas, nenhuma dor
Os pássaros atrás do sol
As dunas de poeira
O céu de anil no pólo sul
A dinamite no paiol
Não há limite no anormal
É que nem sempre o amor
É tão azul

A música preenche sua falta
Motivo dessa solidão sem fim
Se alinham pontos negros de nós dois
E arriscam uma fuga contra o tempo
O tempo salta


sábado, 25 de dezembro de 2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A literatura da era digital

Ao apresentarem experiências avançadas de leitura, incorporando interatividade e convergência de mídias, os livros eletrônicos conquistam novos leitores e renovam o tradicional hábito de ler.

  A invenção de Gutemberg se renovou e, agora, ganhou o formato digital. Com os e-books - versão eletrônica dos livros impressos, que podem ser lidos em computadores, laptops, netbooks, smartphone e nos leitores de livros digitais - as experiências de leitura caminham para novas possibilidades de interação entre o leitor, o conteúdo da obra e o modo de ler. E enganam-se aqueles que pensam que é complicado manter a leitura em um livro digital: do mesmo modo que nos impressos, é possível marcar páginas, fazer anotações e selecionar trechos, com o diferencial de que dá para interferir na exibição para que ela seja vista de diversas formas e contar com tecnologias que complementam e renovam o hábito de ler.
  Com a intenção de apresentar soluções diferenciadas, algumas editoras vão além de apenas digitalizar o conteúdo impresso e passam a apostar em idéias sedutoras de interatividade nos livros eletrônicos. Editores, diagramadores, escritores e profissionais de tecnologia podem soltar a imaginação e incrementar o conteúdo com softwares capazes de inserir efeitos sonoros, substituir imagens e ilustrações por vídeos e criar aplicativos que promovam conhecimento além daquele presente na obra. Também torna-se possível promover a integração com redes sociais ao clicar em uma frase e compartilhá-la na página do Twitter ou Facebook, por exemplo, ou mesmo descobrir o significado de palavra no texto apenas clicando sobre ela. Outra possibilidade é o leitor criar o romance, tornando-se ativo na narrativa ao construir a história como desejar.
  "O livro digital está começando e tem muito caminho pela frente, muito a desenvolver. Ele vai oferecer diversas formas de leitura, das mais simples às mais avançadas, aproveitando as possibilidades multimídia. Muitas novidades relacionadas a aspectos gráficos e visuais ainda estão por vir, mas sempre mantendo o foco na leitura que, a partir de agora, ganhará um caráter mais coletivo", explica Carlo Carrenho, diretor do Publish News.
  Nos Estados Unidos, o livro Dusty D. Dawng Has Feelings Too (Lilian Vernon Corporation), com aplicativo disponível gratuitamente para iPad, iPhone eiPdo Touch, é uma infantil animada em que os pais, as crianças ou qualquer outra pessoa podem gravar o texto de cada página em sua própria voz. A gravação é uma boa alternativa quando os pais estão ausentes, pois os filhos acompanham a leitura como se fosse com eles. Várias animações aparecem ao longo da história e as crianças também adicionam sua foto e nome "primeira página" do livro, dando a impressão de que foram feitas especialmente para elas.
  A Editora Globo apresentou, na última Bienal do Livro de São Paulo, A Menina do Narizinho Arrebitado, de Monteiro Lobato, primeira publicação interativa brasileira para o iPad. Nele, o leitor interage com elementos na tela e, em uma das passagens, clica com a ponta dos dedos sobre o desenho de um vagalume que, ao ser arrastado, ilumina o texto.

Continua...