O escritor Henry Miller - cujo primeiro romance, Trópico de Câncer (1934), conquistou a admiração dos críticos e valeu ao autor o desprezo de toda uma sociedade foi o último representante de uma estirpe de grandes escritores da literatura norte-americana, como Hemingway e Foulkner. Condenado e perseguido, acusado de pornografia, ele proclamava a "absoluta inocência" dos valores do sexo, e terminou por impô-los nos seus escritos. "O sexo, o sexo", repetia, "é só o que existe". A libertação sexual, para ele, tornava-se uma etapa no longo caminho para a plenitude da integração de sacro e do profano, para o encontro consigo mesmo, e por conseguinte com Deus.
Antes de tornar-se escritor, Miller fez de tudo: empregado de uma loja de vaqueiros, mineiro, carteiro e repórter. Sempre escreveu em oposição a sua mãe: "Eu a odiei em toda a minha vida. Era uma mulher rígida, puritana, nunca nos demos bem. Nunca leu nada do que escrevi porque eu não queria tornar-me um alfaiate como meu pai e assumir o seu lugar". Acima de tudo, porém, odiava o puritanismo dela. Diante das proibições que encontrou no caminho ao defender suas obras, ele se limitava a citar a "Epístola de Paulo aos romanos, XIV": "Não há nada impuro em si, mas para aquele que julga alguma coisa impura, ele é impura". A Obra de Miller se caracteriza por um estilo retórico, febril e desordenado, que o tornou um mestre da literatura norte-americana. Mas não foi sempre assim, e para chegar a isso, muitas páginas foram jogadas fora antes de Trópico de Câncer, mas nada se perdeu com isso, pois o grande escritor nasceu na hora em que começou a escrever as primeiras páginas deste livro.
Henry Miller Morreu no dia sete de Junho de 1980 aos 88 anos.
Henry Miller Morreu no dia sete de Junho de 1980 aos 88 anos.